Novela Escrita | Rebeldia - Capítulo 04




CENA 1 - INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/PÁTIO - DIA.

Carolina tenta levar sua mãe para a rua, mas ela não cede.

NÁDIA: Então é esse o homem que roubou o meu lugar?

EDSON: Vamos até minha sala? Aqui na frente dos alunos não é lugar!

NÁDIA (tirando sarro): Minha sala? - ela ri - Minha sala que você roubou!

CAROLINA: Você está me envergonhando! Vamos embora daqui!

NÁDIA (irritada): Eu estou te envergonhando? Você mais que ninguém deveria estar do meu lado! Eu dei a minha vida por esse colégio durante anos, eu tenho o direito de entrar aqui quando eu quiser.

EDSON: O segurança vai levar você para a rua e quando você tiver condições de conversar, me procure.

NÁDIA: Você está me expulsando? 

EDSON: Quando você estiver em condições, você volta. Meus alunos não são obrigados a presenciar isso. E se você se importasse tanto com esse ambiente, pensaria duas vezes antes de entrar aqui nesse estado.

O segurança leva Nádia e os alunos todos olham para Carolina e começam a conversar entre si. De longe, Charles olha para Carolina preocupado, mas quando a garota encontra o olhar do filho do diretor, sai apressada. Corta para:

CENA 2 - INT. / ORFANATO/SALA DE VIVÊNCIA - DIA.

Lucas entra irritado na sala e Willian estranha o seu irmão.

WILLIAN: O que aconteceu? 

LUCAS: Eu só quero ficar quieto. 

WILLIAN: Você nem conversou com o casal que veio aqui. 

LUCAS: Por qual motivo eu conversaria?

WILLIAN: Nem parece que você quer ter uma família.

LUCAS: Família depois de 16 anos sozinho? Que diferença vai fazer na minha vida? Você deveria parar de sonhar com uma família perfeita e se preparar para viver o mundo lá fora quando os dezoito anos chegarem e a gente ser despejado.

WILLIAN: Que bicho te mordeu? 

LUCAS: Eu só estou cansado de ver você se iludindo toda vez que chega alguém aqui. Quantas crianças já passaram por aqui? Geralmente quem sai daqui não é por causa de uma adoção.

WILLIAN: Você sabe que aqui a Lizandra nos trata como filhos, ela não vai nos abandonar de uma hora para outra. Não tem tanta gente, por isso ela consegue administrar bem. Mas apesar de gostar daqui, eu não deixo de sonhar com uma família. E nunca deixarei! Eu acho que a gente merece.

LUCAS: A gente? O engraçado é você achar que além de a gente conseguir uma família, eles vão adotar nós dois. 

WILLIAN: Eu não vou a lugar nenhum sem você.

LUCAS: Então você pode se conformar em ficar aqui.

Lizandra aparece na sala de vivência.

LIZANDRA: Eu preciso conversar com você! Você entendeu tudo errado!

LUCAS: Eu não quero conversar com você!

LIZANDRA: Você pode me deixar explicar?

WILLIAN: O que está acontecendo aqui?

O segurança entra no orfanato desesperado.

LIZANDRA: Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?

SEGURANÇA: Dona Lizandra, eu fui no banheiro por um minuto. Foi coisa de um minuto, eu juro. 

LIZANDRA (preocupada): Fale logo!

SEGURANÇA: Eu voltei e notei que o portão estava aberto. Puxei na câmera e vi aquele último que entrou fugindo. Ele estava me cuidando, por isso conseguiu. Eu juro que foi coisa de um minuto.

LIZANDRA: Eu preciso resolver isso do Fernando e volto para a gente conversar!

Lizandra sai apressada.

WILLIAN: Você vai me dizer o que está acontecendo?

Lucas encara o irmão. Corta para:

CENA 3 - INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/BANHEIRO - DIA.

Carolina chora em uma das cabines, mas se recompõe e vai lavar o rosto. Algumas garotas entram rindo no banheiro e param ao lado dela.

ETHEL (tirando sarro): Além de pedófila sua mãe virou alcoólatra? 

CAROLINA: Vá se ferrar!

Carolina sai do banheiro e as garotas ficam rindo. Corta para:

CENA 4 - INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/PÁTIO - DIA.

Carolina está indo em direção a sala de aula e acaba se encontrando com Charles que para em sua frente

CAROLINA: Veio tirar sarro da minha cara também?

CHARLES: Não, eu estava indo no banheiro e vi você.

CAROLINA: E por qual motivo parou? Que eu saiba o banheiro não é aqui.

CHARLES: Eu vi o que aconteceu, só queria perguntar se você estava bem.

CAROLINA (rindo): Desde quando você se importa comigo?

CHARLES: Eu nem conheço você, mas talvez eu entenda que toda essa marra é por estar passando por um momento difícil.

CAROLINA: Você não precisa se pagar de bom moço para cima de mim.

CHARLES: Por qual motivo você insiste em construir um muro quando eu tento me aproximar? Você nem me conhece!

CAROLINA: Exatamente por isso. Por qual motivo eu conversaria sobre qualquer coisa com você se eu nem te conheço?

CHARLES: Talvez porque eu também posso estar passando por um momento difícil? Ou você acha fácil mudar de cidade, encarar uma escola nova aonde as pessoas parecem te odiar? Eu não entendo o motivo de você pegar no meu pé desde o primeiro dia. Juro que tento entender, mas não consigo!

CAROLINA: Talvez a gente tenha começado errado, mas eu não estou no clima para jogar conversa fora agora. Quem sabe outra hora, ok? Eu vou voltar para a sala de aula.

CHARLES: Tudo bem. Isso já é um começo!

Carolina vai em direção a sala de aula e Charles continua indo para o banheiro. Carolina para no meio do corredor e vira para chama-lo.

CAROLINA: Ei!

Charles para e se vira.

CHARLES: Eu tenho um nome.

CAROLINA: Espero você na minha festa no final de semana.

Charles responde com um sorriso e Carolina entra na sala. Corta para:

CENA 5 - INT. / ORFANATO/ESCRITÓRIO - DIA.

Lizandra aperta a mão de Miguel e André.

LIZANDRA: Desculpa a loucura que foi essa visita, mas lidar com adolescentes quer dizer uma emoção atrás da outra.

MIGUEL: A gente já decidiu, mas vamos chegar em casa e conversar juntos para tornar a decisão oficial. 

LIZANDRA: Eu vou esperar o retorno de vocês!

Willian chega na porta do escritório. 

LIZANDRA: Aconteceu alguma coisa?

WILLIAN (com os olhos cheios d'água): É verdade que o orfanato vai fechar? 

Lizandra fica sem reação. Corta para:

CENA 6 - INT. / RESTAURANTE - DIA. 

Carolina chega no local e avista seu pai lhe esperando. Ela vai até eles e os dois se abraçam.

LOURENÇO: Como vai a minha princesa?

CAROLINA (ri, mas disfarça o sarcasmo): Estou bem. E como anda a nova vida

LOURENÇO: Comigo está tudo bem, só a saudade que é grande. Você sabe, não tenho como ficar vindo na cidade toda hora.

CAROLINA: Já que você sente tantas saudades, acho que tenho uma solução para isso.

LOURENÇO: É? O que você está pensando?

Melissa chega e Lourenço se surpreende.

LOURENÇO: Melissa? O que você está fazendo aqui?

MELISSA: Você achou mesmo que eu não ia participar do encontro em família? Afinal, eu faço parte dela.

Lourenço olha para Carolina com medo de sua reação.

CAROLINA (cumprimenta Melissa com cinismo): Claro que você é da família, por isso acho ótimo você estar aqui neste momento. Como eu ia falando...

MELISSA: Antes de você falar, só troque de lugar comigo pois quero ficar pertinho do meu marido. 

CAROLINA (respira fundo e troca de lugar): Pronto? Posso falar?

MELISSA: Fique à vontade.

CAROLINA: Meu pai estava comentando que a saudade era grande e que não tem como vir me visitar com mais frequência, eu tenho a solução perfeita! Eu posso ir morar com vocês.

MELISSA/LOURENÇO: O que?

Foca no rosto de Carolina. Corta para:

CENA 7 - INT. / ORFANATO/ESCRITÓRIO - DIA.

Lizandra fica sem saber o que falar e Miguel e André a encaram sem reação.

LIZANDRA: Aonde você ouviu isso?

Willian corre chorando para os braços de Lizandra.

WILLIAN (chorando): Você não pode abandonar a gente também! Eu e meu irmão não queremos ir para outro orfanato. Por favor, não feche o orfanato!

André fica com os olhos cheios d'água e Lizandra fica sem saber o que fazer com a situação. Corta para:

CENA 8 - INT. / RESTAURANTE - DIA.

Melissa não disfarça o incômodo com a proposta de Carolina e encara Lourenço.

CAROLINA: O que vocês me dizem? 

MELISSA: Eu acho que essa não é uma boa ideia! Você vai deixar sua mãe sozinha?

CAROLINA: Minha mãe está ficando louca. Hoje mesmo ela foi na escola podre de bêbada e me fez passar o maior constrangimento. 

LOURENÇO: Por essas e outras que deixar ela sozinha pode piorar tudo. Você já pensou se ela entra em depressão e se mata?!

CAROLINA: Que horror, pai! 

MELISSA: Eu concordo com seu pai. Já pensou quando ela descobrir que você foi morar com seu pai e sua madrasta e deixou ela sozinha? Ela vai se sentir abandonada!

CAROLINA (ri): Madrasta?

MELISSA: Sim, madrasta! É assim que irá me chamar quando eu e sei pai casarmos no mês que vem. Você já deve ter visto no jornal né?

LOURENÇO: Jornal?

MELISSA: Sim, ontem eu dei uma entrevista falando sobre o nosso casamento. Você não viu? 

LOURENÇO: Eu falei para você deixar tudo em baixo dos panos, não queria a imprensa metida nisso. Você sabe que irei resolver o divórcio hoje!

CAROLINA: Vocês podem focar em mim?

LOURENÇO: Infelizmente não tem como você ir morar conosco Carolina. Você teria que deixar a escola, a cidade. E a sua mãe iria me odiar mais ainda.

CAROLINA: Então você prefere que a sua filha te odeie?

LOURENÇO: Você não pode fazer isso comigo. A gente pode achar uma nova solução, você pode me pedir o que quiser. Só não peça para deixar sua mãe sozinha.

CAROLINA: Então a gente vai fazer o seguinte, a casa da ilha é minha esse final de semana. Combinado?

LOURENÇO: O que você vai... enfim, combinado!

CAROLINA: E tem mais! No dia do casamento eu quero entrar com as alianças. Se essa foi a vida que você escolheu, eu quero fazer parte dela.

LOURENÇO: Isso é o que eu mais quero! Combinado!

CAROLINA: O que você acha Melissa?

MELISSA: Será um prazer!

CAROLINA: Bom, eu vou te mandar uma lista do que eu preciso na casa da ilha esse fim de semana. Vê se não esquece de me responder dessa vez!

Carolina beija o rosto do pai e sai. 

MELISSA: Eu não quero essa garota no nosso casamento.

LOURENÇO: Essa garota é minha filha!

MELISSA: Ela me odeia! Você já pensou que isso pode ser um plano dela com aquela sua ex louca para destruir nosso casamento?

LOURENÇO: Você está vendo muita novela mexicana. Me poupe!

Lourenço pede a conta. Corta para:

CENA 9 - INT. / ORFANATO/ESCRITÓRIO - DIA.

Willian não consegue controlar o choro, Lizandra não tem reação durante algum tempo.

LIZANDRA: Você não precisa se preocupar com isso! O seu irmão não devia ter lhe contado, não deveria nem ter ficado ouvindo conversa atrás da porta. Você precisa se controlar! Você sabe o quanto amo vocês, não faria nada para prejudica-los.

WILLIAN: Você não pode fechar o orfanato. As pessoas não vão gostar de mim lá fora, você sabe disso. 

MIGUEL: Porque diz isso? Você é um menino encantador.

WILLIAN: Sempre que chega algum garoto novo aqui no orfanato, eles sempre implicam comigo. Se não é o meu irmão me defender, eu sempre acabo apanhando ou vítima de alguma brincadeira idiota. 

ANDRÉ: Mas você não tem que se preocupar com os outros. Se você demonstrar medo, aí sim eles vão implicar com você. Você já pensou que nem sempre o seu irmão vai estar por perto? Você precisa aprender a ter confiança em si próprio e se defender.

LIZANDRA: Volte para a sala de vivência. E não conte para ninguém sobre isso, entendeu? Eu quero que você e seu irmão fiquem tranquilos. Quando tiver algo decidido, eu vou informar todos vocês! 

Willian sai do escritório e André e Miguel se olham.

ANDRÉ: É ele!

LIZANDRA (sem entender): É ele o que?

MIGUEL: Nós queremos adota-lo. Era ele antes disso e agora é mais ainda. 

LIZANDRA: O Willian?

ANDRÉ: A gente vem no início da semana conversar com ele e o irmão, pode ser?

LIZANDRA: O irmão?

MIGUEL: Nós não vamos ser responsáveis pela separação dos irmãos. A gente quer e vai conseguir adotar os dois.

LIZANDRA: Vocês sabem da responsabilidade que é adotar um adolescente? Imagina dois?

ANDRÉ: A gente já tinha conversado com o Willian mais cedo, ele já tinha despertado algo em nós dois. 

MIGUEL: E o irmão dele é tão retraído, tem medo de se deixar aproximar. A gente quer os dois, não precisamos mais pensar. Parece que eu vejo a minha história sendo contada de um modo diferente... você sabe o que eu passei quando era mais novo Lizandra! 

LIZANDRA: Eu sei, mas parece loucura adotar dois adolescentes!

MIGUEL: Você deveria estar feliz!

LIZANDRA: Ok! Darei um voto de confiança. Torço por vocês!

ANDRÉ: Na segunda-feira voltamos para conversar com os dois e dar início ao processo de adoção!

André e Miguel se abraçam felizes. Corta para:

CENA 10 - INT. / CASA DA FAMÍLIA ALBUQUERQUE/QUARTO DE NÁDIA - DIA.

Nádia sai do banho e demonstra estar com dor de cabeça. Heloísa entra no quarto trazendo um chá para a patroa.

HELOÍSA: Trouxe um cházinho para a senhora. Logo essa dor de cabeça vai passar e você nem vai lembrar que bebeu todas hoje.

NÁDIA: Eu queria era esquecer o vexame que eu dei na escola da Carolina.

HELOÍSA: É tudo muito recente, dona Nádia. Ninguém é de ferro, somos humanos e temos nossas fraquezas. Quem nunca foi brigar pelo que achou que era seu?

NÁDIA (chora): Eu dei a minha vida por aquela escola durante anos para ser tirada de mim por algo tão... normal?

HELOÍSA: É normal para a senhora, mas não foi normal para os pais do Alex.

NÁDIA: Eu estava na minha casa, foi ele quem veio até mim. Como eu ia saber que era um aluno da escola se no aplicativo era outro?

HELOÍSA: Por isso que eu digo que essas coisas de hoje em dia só dão dor de cabeça.

NÁDIA: Quando eu vi... eu estava tão carente que não consegui rejeitar o pouco de carinho que aquele garoto estava disposto a me dar.

HELOÍSA: Dezessete anos já não é mais nenhuma criança, mas a lei não vê dessa forma. 

NÁDIA: E se fosse um cara mais velho namorando uma garotinha? Aquele vagabundo do Lourenço é a prova viva do machismo dessa lei... ela tem idade para ser filha dele!

HELOÍSA: Mas ela é de maior!

NÁDIA: Eu sei... eu sei... enfim, obrigado pelo chá, pode voltar para a cozinha. Vou tentar dormir!

HELOÍSA: Quer que eu feche as cortinas?

NÁDIA: Por favor!

Heloísa fecha as cortinas e encosta a porta ao sair. Nádia toma o chá e se ajeita para dormir, mas escuta um barulho na porta logo em seguida e se vira para olhar.

NÁDIA (ao avistar Leon): O que você está fazendo aqui? Você ficou louco? A Heloísa está em casa e a Carolina vai chegar logo!

Leon tranca a porta e vai em direção da cama.

LEON: Vocês precisam começar a trancar a porta da frente.

NÁDIA: Você nem vem porque é um erro o que estamos fazendo. Você tem que ir embora e parar de me procurar de uma vez por todas.

LEON: Eu vim ver como você estava. E fique tranquila, me escondi no quarto da Carol enquanto você conversava com a Heloísa. Ela não me viu.

NÁDIA: Eu estou bem! Agora vá embora antes que alguém lhe veja.

LEON: Eu tranquei a porta!

NÁDIA: Eu não preciso de mais um problema na minha vida.

Leon se deita ao lado de Nádia.

LEON: Coloque sua cabeça no meu ombro. Venha!

NÁDIA: Vá embora!

LEON: Coloque sua cabeça no meu ombro. 

NÁDIA: Você não desiste?

LEON: Eu já falei para você não se preocupar comigo.

NÁDIA: É comigo que eu estou preocupada. Você não vê o caos em que se transformou a minha vida? Já imaginou mais um escândalo?

LEON: Eu estou aqui hoje como um ombro amigo. Coloque sua cabeça no meu ombro e descanse. Vou ficar com você!

NÁDIA: Você não tem dever de casa para fazer, não?

LEON: Quanto mais você fala, menos tempo dorme. Eu não vou sair daqui!

NÁDIA: Mas que coisa... pois então fique aqui, mas eu não vou colocar minha cabeça no seu ombro. 

Nádia vira para o outro lado emburrada.

LEON: Quem é que está parecendo uma adolescente aqui?

Nádia fica em silêncio e Leon a abraça. Ela continua com os olhos fechados.

LEON: Você precisa entender que eu não sou o Alex. Meus pais não vão dar a miníma se um dia descobrirem. Eu não quero que você pense que eu estou fantasiando um futuro. Quero que você aproveite o momento e que me deixe passar essa fase ruim com você, pelo menos até você encontrar alguém que lhe dê o devido valor. 

NÁDIA (vira e olha para ele): Isso é muito errado!

Leon ri e os dois se beijam. Corta para:

CENA 11 - INT. / CASA DA FAMÍLIA NOGUEIRA/QUARTO DE CHARLES - NOITE.

Charles está deitado em sua cama. Edson bate na porta e entra no quarto do filho. 

EDSON: Quer falar comigo?

CHARLES: Sim! Quero te pedir uma coisa.

EDSON: Pode falar! 

CHARLES: Você já ouviu falar na Ilha de Litoral?

EDSON: Sim, o que tem? 

CHARLES: A família de Carolina tem uma casa lá e ela vai fazer uma festinha para marcar o início do ano letivo. Eu fui convidado e queria muito ir. Posso?

EDSON: Mas é um lugar muito afastado! Como vai voltar para casa?

CHARLES: Ao que tudo indica, a festa acaba no horário em que o bote já está funcionando. 

EDSON: Não sei... dizem que aquele lado não é muito bom. 

CHARLES: Você acha que uma família rica como a dela ia comprar uma casa em um local que não é bom?  Deixa pai, é a oportunidade que eu preciso para fazer amigos. 

EDSON: Você nunca se interessou por festas... não estou entendendo essa animação repentina. 

CHARLES: Não é animação repentina, só pensei bem no que você falou outro dia sobre aproveitar e tomei a decisão de ir.

EDSON: Ok, você pode ir! Mas eu te levo até o bote no sábado e te busco no outro dia assim que você atravessar.

CHARLES: Combinado! 

Edson sai do quarto. Corta para:

CENA 12 - INT. / CASA DA FAMÍLIA ALBUQUERQUE/COZINHA - NOITE.

Carolina entra na cozinha e assusta Heloísa.

HELOÍSA: Quer me matar menina? 

CAROLINA: Desculpe se te assustei.

HELOÍSA: Aonde você andou? Fiquei preocupada!

CAROLINA: Estive com o meu pai e depois passei na Vanessa. 

HELOÍSA: Está com fome? Eu preparo algo para você comer agora mesmo!

CAROLINA: Quer me engordar né? Pode ficar tranquila que já comi. Minha mãe está em casa?

HELOÍSA: Está no quarto desde que chegou mais cedo. Estava com um cheiro de bebida, mas tomou um banho, um chá e foi dormir.

CAROLINA: Então ela deve estar bem descansada para me ouvir.

HELOÍSA: Melhor não, Carolina... sua mãe está passando por uma fase tão complicada.

CAROLINA: Não justifica ela ir me envergonhar no colégio. 

Carolina sai da cozinha. Corta para:

CENA 13 - INT. / CASA DA FAMÍLIA ALBUQUERQUE/QUARTO DE NÁDIA - NOITE.

Nádia e Leon estão dormindo abraçados quando acordam assustados com o barulho de Carolina tentando abrir a porta.

NÁDIA (muito preocupada): É a Carolina!

LEON: Calma! A porta está trancada! É só fingir que está dormindo e não responder.

CAROLINA: Eu sei que você está me ouvindo, abre essa porta! Não adianta me evitar, depois do mico que você me fez passar. Abre essa porta, mãe! Mãe? Abre a porta! Você vai fazer mesmo eu perder meu tempo de ir até a garagem pegar a chave reserva? 

NÁDIA: Droga! A chave reserva!

Nádia e Leon se encaram. Corta para:

FIM DO CAPÍTULO 04

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