Novela Escrita | Rebeldia - Capítulo 01


CENA 1 - INT. / CASA DE VERÃO DA FAMÍLIA ALBUQUERQUE/QUARTO - NOITE.

Ilha de Litoral.

Carolina Albuquerque é uma garota de dezesseis anos. Vestida com um roupão, vai até o seu espelho e se despe. Ela começa a olhar seu corpo com olhar de reprovação. Em seguida, coloca uma roupa de dormir e sai do quarto. Andando pela casa, ela não encontra nada para fazer. Se deita no sofá e começa a mexer no celular. Corta para:


CENA 2 - INT. / CASA DA FAMÍLIA NOGUEIRA/SALA DE JANTAR - NOITE.


Cidade de Litoral.


Charles Ferreira Nogueira é um jovem de dezessete anos, mora com seus pais, Edson e Maria Aparecida, e sua irmã de treze anos, Pérola. Os quatro estão jantando.


EDSON: Já decidiu o que vai fazer na última semana de férias?


CHARLES (brincando): Não fiz nada até agora, porque eu faria na última semana?


EDSON: Os jovens de hoje em dia não sabem aproveitar, só querem saber de celular. 


CHARLES: Pai, nos mudamos para cá faz dois meses. O que eu vou fazer em uma cidade que eu não conheço ninguém?


EDSON: Vai na praia, cinema... tenta se enturmar. 


MARIA APARECIDA: Você é que nem eu meu filho, também não gosto de sair pela rua implorando amizade de estranhos.


EDSON: Isso não é implorar amizade... você tem dezessete anos, precisa curtir mais. Quando começar às aulas, vai estar com a cara enfiada nos livros, como sempre foi, então precisa aproveitar enquanto estiver de férias.


PÉROLA: A verdade é que ele não está feliz!


EDSON: Como assim?


PÉROLA: Você acha mesmo que ele queria ter trocado de colégio? 


CHARLES: Quem te chamou para a conversa? 


PÉROLA: Não fique chateado, eu também não queria ter trocado de colégio.


Edson segura na mão dos filhos.


EDSON: Vocês precisam entender que eu consegui algo muito bom aqui. Todo meu esforço é por vocês. Serei o diretor de um colégio, sabem a importância desse cargo?


CHARLES: Eu sei que isso é muito importante. Eu sei também que a gente precisa pensar um pouco no senhor, e é por isso que estamos tentando levar na boa. Você não nos escuta reclamando... e não vai ouvir! É tudo uma questão de tempo até a gente se sentir parte da cidade.


EDSON: Eu tenho muita sorte de ter uma família como essa! Muita sorte! E vocês sabem que eu e sua mãe estamos aqui para qualquer coisa.


A conversa se encerra e todos voltam a comer. Corta para:


CENA 3 - INT. / ORFANATO/SALA DE VIVÊNCIA - NOITE.


Lucas Alves do Nascimento, um jovem de dezesseis está deitado no sofá e Willian Alves do Nascimento, quatorze anos, está sentado no chão assistindo a um filme, enquanto Lucas está quase dormindo, Willian tenta segurar o choro. Segundos depois, Fernando aparece e fica na frente de Willian.


FERNANDO (debochando): A bichinha está chorando por causa do filme? Meu Deus, que pecado!


WILLIAN: Sai da minha frente!


FERNANDO: Se eu não sair você vai fazer o que?


Lucas acorda com a provocação de Fernando e levanta.


FERNANDO: Olha quem acordou... a outra menininha da casa!


LUCAS: Você quer deixar meu irmão em paz?


FERNANDO: Isso foi uma pergunta? Não, eu não quero!


LUCAS: Ou você sai ou eu faço você sair!


FERNANDO: Não é porque você é o queridinho da diretora, que eu vou ter medo de você não, boiola.


LUCAS: Você que pediu!


Lucas vai até a janela e bate com a cabeça diversas vezes até sangrar.


WILLIAN: O que você está fazendo, ficou louco?


LUCAS (gritando): Me solta! Socorro! Me solta!


FERNANDO: O que você está fazendo? Pirou?


Lizandra, a diretora do orfanato, aparece nervosa. 


LIZANDRA: O que está acontecendo aqui?


FERNANDO: Esse retardado...


LUCAS (interrompe Fernando): Nós estávamos vendo um filme, já que a senhora permitiu, e o Fernando veio nos provocar... quando eu vi, ele já estava em cima de mim me dando socos. 


FERNANDO: Isso é mentira!


LUCAS: Era para ser o Willian na verdade, mas eu me meti na frente. Não é, irmão?


WILLIAN (surpreso): É? É!


LIZANDRA: O que você está pensando Fernando? Desde que você foi transferido para cá, se mete em problemas todos os dias. 


FERNANDO (nervoso): Não está contente? Eu já falei que por mim estaria na rua! Vocês é que insistem em me manter nessa prisão. Nesse inferno!


LIZANDRA: Inferno? Um lugar quente, uma cama para dormir... isso é um inferno.


FERNANDO: Minha mãe está lá fora e eu aqui preso. Esses dois estão aqui porque ninguém os quer, diferente de mim, a minha mãe me quer! A minha mãe deve estar sozinha! Ela precisa de mim!


LUCAS: A sua mãe é uma drogada pelo que eu ouvi... então provavelmente ela nem lembra de você nesse momento.


FERNANDO (vai para cima de Lucas): Eu vou calar essa sua boca, seu desgraçado!


LIZANDRA (se mete na frente de Fernando): Chega! Todos vão dormir. Amanhã no primeiro horário, Lucas e Fernando na minha sala. A última semana de férias vai ser na biblioteca do orfanato arrumando os livros.


Lizandra os acompanha até o quarto. Corta para:


CENA 4 - INT. / CASA DA FAMÍLIA ALBUQUERQUE/JARDIM - DIA.


Dias depois...


Carolina chega em casa e Osvaldo, o motorista, ajuda com as malas. Nádia Albuquerque, sua mãe, sai do escritório e vai abraçar a filha.


NÁDIA: Você não sabe como essa casa fica vazia sem você!


CAROLINA: Eu vou tomar um banho mãe.


NÁDIA: Você fica uma semana fora e é isso o que tem para me falar?


CAROLINA: Falar o que? Uma semana sem precisar aturar gente chata, apenas com a minha própria companhia. Tem coisa melhor? Você deveria experimentar!


NÁDIA: Estou vendo que esse tempo longe de nada melhorou seu humor. 


CAROLINA: Você achou que uma semana longe ia apagar todos os problemas?


NÁDIA: Você não sabe o que são problemas!


CAROLINA: Não sei o que são problemas?! Meu pai trocou a família por uma garota que tem idade para ser minha irmã, além disso, precisei conviver com a minha mãe chorando pelos cantos pelos últimos dez meses. E tem mais, ela foi afastada do cargo de diretora por ter saído com um aluno, ou seja, da mesma idade que eu. Se você não soube lidar durante todo esse tempo, porque eu teria que saber? 


NÁDIA: Osvaldo, pode colocar as malas ai e sair.


OSVALDO: Sim, senhora!


NÁDIA (brava): Você perdeu o respeito garota? Isso é jeito de falar com a sua mãe?


CAROLINA: Eu estou de saco cheio de colocar um sorriso no rosto e fingir felicidade por aí. Estou cansada dessa vida de mentira que você leva! Você deveria ter saído dessa situação por cima, mas só conseguiu acabar ainda mais com a imagem da nossa família. Os últimos meses do ano letivo que passou? Foram um inferno! Sendo que esse ano quem vai assumir a direção é um homem novo na cidade. Ou seja, o que ele sabe sobre a nossa cidade? Sobre as pessoas que vivem aqui? Você tem a noção de que prejudicou não só a mim, mas uma escola inteira?


NÁDIA: Eu entendo que seja difícil para você, mas em algum momento você pensou em como eu me senti sendo trocada? 


CAROLINA: Eu pensei nisso todos os dias, mas isso não é motivo para você abrir as pernas para o primeiro adolescente que passar.


Nádia dá um tapa na cara da filha.


NÁDIA: Vai para o seu quarto e só sai de lá quando eu mandar! Você tem sorte do seu pai mandar uma boa quantia todo mês para você, se não depois disso, eu te mandaria para o colégio interno mais longe o possível.


CAROLINA (bate palmas, com o olho cheio de água): Agora sim minha mãe voltou! Pode deixar que eu vou para o meu quarto, se quiser que eu fique lá até o início das aulas, não tem problema, pode pedir para a Heloísa levar a comida. Não faço nenhuma questão de dividir o mesmo cômodo que você!


Carolina deixa sua mãe falando sozinha e vai para o quarto. Corta para:


CENA 5 - INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/CORREDOR - DIA.


Dias depois...


Todos estão agitados com o primeiro dia de aula. No corredor podemos ver personagens que ainda serão apresentados. A porta se abre e quem entra chama atenção por suas vestimentas: toda de preto e com um véu, vestida para um funeral. Todos olham para a figura sem entender, até que ela tira o véu e se revela: Carolina. Corta para:


CENA 6 - INT. / ORFANATO/SALA DE VIVÊNCIA - DIA.


Lizandra vai até Lucas que está deitado.


LIZANDRA: Está na hora de ir para a biblioteca com o Fernando!


LUCAS: Quando que o castigo vai acabar? Eu não aguento ter que ficar uma hora por dia com aquele garoto!


LIZANDRA: Vocês precisam aprender a se respeitar. Não é porque eu não gosto de alguém, que vou sair socando a cara da pessoa.


LUCAS: Mas não foi eu!


LIZANDRA: Sem discussão!


LUCAS: É verdade que hoje tem visita?


LIZANDRA: Sim, temos um horário marcado.


LUCAS: E justo em um dia com visita você vai me mandar para a biblioteca?


LIZANDRA: Você pode deixar que irei apresentar todos para o casal.


LUCAS: Eles sabem que somos jovens?


LIZANDRA: Sim, eles estão em busca de adolescentes!


LUCAS: Quer saber? Eu não sei porque fico animado com isso... é sempre a mesma coisa! Eles vem, nos iludem e nunca mais voltam.


LIZANDRA: Esse é um casal de amigos meus, eles realmente procuram construir uma família.


LUCAS: Vamos ver... vamos ver!


LIZANDRA: Agora passa já para a biblioteca!


Lucas vai para a biblioteca. Corta para:


CENA 7 - INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/SALA DO DIRETOR - DIA.


Carolina entra na sala e se senta de frente para o Edson.


CAROLINA: Posso saber porque fui chamada na sala do diretor no primeiro dia de aula?


EDSON: Eu estava no corredor recepcionando os alunos quando o seu traje me chamou a atenção.


CAROLINA: Algum problema com a minha roupa?


EDSON: Eu não sei se você sabe, mas meu nome é Edson, sou o novo diretor do colégio.


CAROLINA: Você pode pular direto para o assunto que me trouxe até aqui?


EDSON: Bom... queria entender o motivo de estar vestida desse jeito. Eu sei que sua vida teve mudanças bem radicais nos últimos meses e gostaria de saber se eu estar aqui, no lugar que era de sua mãe, influenciou você a vir desse jeito.


CAROLINA: Você chegou não faz 24 horas e já está querendo se meter na minha vida pessoal? 


EDSON: Acho que você não me entendeu... mas então eu vou lhe dar tempo para se acostumar com a minha presença e se sentir a vontade para, caso precisar de algo, vir falar comigo. Você está liberada!


CAROLINA: Já? É isso? Não vai mandar eu trocar a roupa?


EDSON (rindo): Como eu seria um bom profissional se fosse querer mandar na roupa que uma aluna se sente a vontade vestindo? Se essa é a roupa que lhe faz sentir bem hoje, pode ficar com ela. 


Carolina se levanta e sai da sala do diretor. Corta para:


CENA 8 - INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/CORREDOR - DIA.


Carolina sai da sala do diretor e seus amigos estão lhe esperando. Carolina se junta a Vanessa (16 anos), Leon (17 anos) e Gabriel (16 anos), e vão em direção a sala de aula.


VANESSA: O que o diretor queria?


CAROLINA: Falar sobre a minha roupa... perguntando se estava tudo bem.


GABRIEL: Mas ele não mandou você tirar né?


CAROLINA: Não! É o primeiro dia dele, não vai querer chegar mostrando as garras.


LEON: Pelo que eu li na internet, todo mundo amava ele no colégio que ele deu aula antes.


CAROLINA: Cidade pequena todo mundo ama todo mundo. 


GABRIEL: Mudando de assunto... como a sua mãe está com tudo o que está acontecendo?


CAROLINA: Esse é um assunto do qual eu não estou nem um pouco afim de falar. Minha mãe é uma causa perdida... sem paciência para aturar as crises de meia idade dela.


O grupo entra na sala de aula. Corta para:


CENA 9 - INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/SALA DE AULA - DIA.   


Carolina e os amigos vão se sentar no fundo da sala, mas Charles está sentando na carteira que Carolina costuma sentar.


CAROLINA (arrogante): Você pode sair do meu lugar?


CHARLES (se fazendo de desentendido): Você está falando comigo?


CAROLINA: Não... com a parede! É claro que é com você. Aliás, quem é você?


CHARLES: Meu nome é Charles, hoje é meu primeiro...


CAROLINA: Perguntei por educação. Afinal, você pode sair do meu lugar ou vou precisar chamar o diretor?


CHARLES: Eu não sei como as coisas costumavam ser ano passado, mas pelo que eu sei, ninguém tem lugar certo ainda, até por hoje ser o nosso primeiro dia de aula.


CAROLINA: Mas nós sentamos todos os anos no mesmo lugar, e esse é meu!


CHARLES: Infelizmente eu cheguei primeiro. Pode sentar na minha frente, não me importo.


CAROLINA: Acho que você não entendeu...


CHARLES (irritado): Acho que quem não entendeu é você! Eu não vou sair de um lugar que estava vago apenas para satisfazer a vontade de uma garota que acha que manda na sala de aula. Aliás, se você tivesse o pingo de educação de me pedir, eu saia. Mas você não fez nem questão de fingir que era educada...


CAROLINA (irritada): Você sabe com quem está falando?


CHARLES: Não faço ideia e nem questão.


CAROLINA: Meu nome é Carolina Albuquerque!


CHARLES: Você é filha da ex diretora que pegou um aluno? Entendi tudo!


CAROLINA (com ódio): Você me paga! 


Charles sorri e ela e os amigos vão sentar do outro lado da sala. Corta para:


CENA 10 - INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/REFEITÓRIO - DIA.


Hora do intervalo. Carolina e os amigos no refeitório. Carolina pega seu celular e abre na rede social do seu pai. Ela fica olhando as fotos que o mesmo posta com a atual namorada e fica com os olhos cheios d'água e em momento algum presta atenção na conversa dos amigos.  Ela abre a página das mensagens e manda:


CAROLINA: Oi pai, estou com saudades! Quando você vem me visitar? As aulas começaram hoje, está um saco. Bom... espero que esteja bem. Te amo!


Ela pensa um pouco antes de enviar, mas envia. Segundos depois o mesmo visualiza a mensagem, mas não responde. Carolina não esconde a decepção e sai apressada. Os amigos ficam sem entender. Corta para:


CENA 11 - INT. / ESCOLA EVOLUÇÃO DO SABER/CORREDOR - DIA.


Charles e Edson estão conversando e quando vão virar o corredor, Carolina que está indo em direção ao banheiro com pressa, esbarra em Charles. Ao som de Delicate - Taylor Swift, os dois caem um em cima do outro. Corta para:

FIM DO CAPÍTULO 01



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7 comentários :

  1. Que capítulo de estreia hein. Muito bom como foi apresentado alguns personagens, parabéns​ pelo capítulo e vamos aguardar os próximos.

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    1. Obrigado! Espero que goste do que vem por aí...

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  2. Já amo e defendo a Carolina com minha vida.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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