Novela Escrita | Fruto da Imaginação - Capítulo 11



Universidade futuro / Sala de Antônio

Antônio: Bernardo?!

Bernardo sai correndo, meio confuso com o que ouve. Antônio fica nervoso.
Antônio: Bernardo volta aqui.
Luiza: Calma Antônio! Pelo visto ele acabou de descobrir isso. Dá um tempo para ele. As coisas precisam se ajeitar primeiro.
Antônio demonstra preocupação e tristeza. E começa a chorar.
Antônio: Luiza, ao mesmo tempo que reencontrei meus filhos, eu sei que despertei um ódio neles.
Luiza: Meu amor, uma hora vocês terão que colocar essa história a limpo e resolver tudo.
Antônio: Ele não vai me perdoar nunca, se o Leo morrer.
Luiza: Antônio, não tem como eles não te perdoarem depois de ouvir e saber tudo o que aconteceu. Você foi vitima nisso tudo.
Rua
Bernardo anda desnorteado pelas ruas, sem nem saber por onde esta andando mediante ao choque.
Universidade Futuro / Cantina
Marcos: Está indo para casa agora, Helena?
Helena: Vou sim, Marcos. Está indo pro lado de lá?
Marcos: Mesmo se não tivesse, agora iria
Os dois riem
Helena: Bobo.
Marcos: Digamos, apaixonado.
Os dois se olham apaixonados e Marcos Beija Helena que fica sem graça.
Marcos: Muito apaixonado.
Helena: Você é louco, Marcos!
Marcos: Por você, Helena.
Helena (ri): Vamos embora.
Os dois saem
Praça
Sandra: Ai meu Deus! Cadê o Diego?
Diego chega apressado
Diego: Oi Sandra… conseguiu também?
Sandra: Sim, sim… o celular da minha mãe e o relógio também.
Diego: eu consegui 1 celular e 2 relógios. Acho que conseguiremos abater um pouco da dívida.
Sandra: Já é um alivio… Você não sabe o que aconteceu. Eu tive de transar com um carinha lá, em troca de pagamento.
Diego: é Sandrinha… eles estão jogando sujo.
Sandra começa a chorar ao lembrar…
FLASHBACK:
Sandra está muito nervosa
Bandido: Não quero desculpas garota! Dívida é dívida.
Sandra: Desculpas, eu já me expliquei ontem para o “Navalha”, o que você quer comigo?
Bandido: Primeiro que eu não sou o Navalha. Digamos que somos sócios aqui no morro. E como você deve a nós 2, tem que pagar a dívida aos dois, não concorda?
Sandra começa a chorar
Sandra: Pelo amor de Deus, deixa eu ir, eu prometo que vou pagar a vocês. Eu realmente esqueci que estava devendo.
Bandido: Mas nós não esquecemos gata. Por isso, um dos pagamentos, que não te isenta do pagamento em dinheiro é passar uns minutos aqui sozinha comigo. Pra nós brincarmos.
Sandra se desespera
Sandra: Por favor, não. Eu vou te pagar.
Bandido: Não adianta chorar “Piriga”, eu quero você. Tenho certeza de que o Navalha fez o mesmo com você
O Bandido, pega Sandra a força. Joga ela no sofá e começa a tirar sua roupa e a beijá-la e ela chora desesperadamente.
Sandra (chorando) Foi nojento Diego. Eles são asquerosos. Mas ou era isso, ou me matava.
Diego: Sandra, pode esperar mais desses caras. Eles não estão para brincadeira.
Casa de Bernardo / Sala
Bernardo entra em casa muito abalado.
Regina: Bernardo onde você estava filho? Estou te ligando e você não atende o celular…
Regina percebe que Bernardo não está bem e fica preocupada.
Regina: O que foi que houve? Você estava chorando? Aconteceu algo com seu irmão?
Bernardo: Não mãe… pelo menos não até a hora que eu saí do hospital. Mas a senhora deve saber por que estou assim.
Regina: Não diga que o Antônio te procurou.
Bernardo: Foi por isso que vocês dois estavam chorando, não é?… Mas não me esconda mãe. É verdade o que eu ouvi o Antônio contando para a esposa dele?
Regina não sabe o que fazer e tenta disfarçar
Regina: Não sei do que está falando Bernardo.
Bernardo está irritado
Bernardo: Claro que sabe Mãe. Eu ouvi o Antônio dizendo que é o meu pai.
Regina começa a chorar e Bernardo também
Bernardo: Por que ele? Não pode ser
Regina (emocionada): É isso mesmo meu filho… por O Poder do Destino, o homem que te expulsou da faculdade e que se envolveu no acidente com o Léo. É o seu pai.
Bernardo começa a gritar e a socar a parede, num sinal de desespero
Bernardo: Não pode ser mãe… não pode ser. Eu o odeio. Eu odeio o Antônio.
Bernardo sai correndo para a rua. Regina se desespera, mas Sérgio tenta acalmá-la
Regina: Espera filho… volta aqui Bernardo.
Sérgio (segurando Regina): Deixa ele Regina… ele precisa digerir isso. Se acalma.
Regina: para onde será que ele foi?
Regina sai como se quisesse encontrá-lo. Sérgio fica muito nervoso. E parece ficar descontrolado.
Sergio: Isso não poderia estar acontecendo… isso não podia. Droga! Droga!
Sérgio derruba as coisas que estão sobre a mesa
Casa de Rafael e Helena / Portão
Rafael está indo falar com Helena, mas a vê aos beijos com Marcos.
Rafael: Então ela me esqueceu mesmo… também que burro eu fui. Por que não contei a verdade antes? E agora que decidi contar tudo, ela já está em outra. E o pior, que não posso impedir que ela tire o nosso filho. Meu Deus, preciso de uma ajuda.
Casa de Leonardo / Sala
Bia: Daniel… tenho percebido que você tem andando meio triste.
Daniel: Tia Bia, estou com muita saudade do meu paizinho. Ele vai morrer?
Daniel começa a chorar e Beatriz também se emociona.
Daniel: Eu vou ficar sozinho, sem meu pai? Minha mãe já foi embora...e agora o meu pai também? Por favor tia Bia, não deixa ele me abandonar também.
Bia: Calma meu amor… seu pai não vai morrer. E também você não vai ficar sozinho nunca. Tem eu, tem sua vó, seu tio… todos nós te amamos muito e jamais vamos te deixar só.
Daniel: promete?
Bia: Dani… eu nuca vou te deixar
Daniel e Bia se abraçam muito emocionados
Casa de Antônio / Sala
Luiza: Você não é o culpado de nada, Antônio. Quando eles souberem de toda a verdade, você vai ver que você não ocasionou nada disso. Nem o abandono a eles no passado, nem mesmo o acidente com seu filho.
Antônio: Mas eu expulsei o meu filho da faculdade, que ele tanto sonhou para ingressar e nunca teve condições. Quando na verdade, ele é o próprio dono. Eu estou me sentindo culpado Luiza.
Antônio está muito triste e se sentindo culpado. A campainha toca e Luiza vai atender
Luiza: Eu atendo.
Luiza abre a porta
Luiza: Bernardo?
Luiza: Entra Bernardo… Você está passando bem?
Bernardo: Estou sim Dona Luiza. Eu vim falar com o Antônio posso?
Luiza: Claro Bernardo… entra. Vou deixar vocês a sós.
Bernardo entra e Antônio fica surpreso. Luiza Sai.
Antônio: Bernardo?! Sente-se.
Bernardo: Nós podemos conversar com o Antônio?
Antônio: Claro, Bernardo. Estou muito feliz em vê-lo.
Bernardo: Eu só quero entender tudo isso. Por que logo você? Por que o passado veio a tona agora. E dessa maneira?
Bernardo começa a chorar e Antônio tenta se manter firme, mas também chora.
Bernardo: Logo o cara que eu achei que passou a me odiar depois que passei a bater de frente na Universidade, descubro que me odeia antes de eu nascer.
Antônio: Não é isso Bernardo. Não te odeio, e nem nunca odiei.

Bernardo: Não?! Abandonar covardemente como você fez com a gente, não é odiar? Como se chama isso? Desprezo… aborto né? Por que o que você fez comigo foi justamente isso.
Antônio (chorando): Eu posso ao menos contar o que houve? Aí você diz se aceita ou não.
Bernardo: Não sei se o que me disser, seja lá o que for, será capaz de mudar esse quadro.
Antônio: Bernardo, eu fui sequestrado. Eu, sua mãe e seu irmão morávamos no interior do Rio de Janeiro. Éramos muito felizes, tínhamos um casamento super abençoado. Meses após sua mãe descobrir que estava grávida de você, num dia qualquer, eu saí para trabalhar e no caminho fui assaltado e sequestrado, levado para um lugar bem distante e lá fiquei em cativeiro por vários dias, até que consegui fugir e sendo perseguido por uns caras, levei um tiro e caí num rio, onde consegui sobreviver, graças a uns pescadores que estavam a margem desse rio. Foi quando descobri que estava no nordeste do Brasil. Sofri pois não lembrava de muita coisa e passei por necessidades, até que um tempo depois consegui uma carona até São Paulo, onde consegui reconstruir minha vida. Voltei até a cidade onde morei com sua mãe, mas vocês não estavam mais por lá. E com isso não tinha como encontrá-los e nem saber por onde vocês estariam. Cresci na vida, mas posso te garantir Bernardo, nunca esqueci de vocês. Seu nome eu não sabia mesmo, pois ainda não havia sido decidido até o dia do sequestro.
Bernardo parece aliviado por saber que Antônio disse não ter abandonado propositalmente. Mas mesmo assim, reluta em acreditar.
Bernardo: Parece verdade essa história, mas não convence. Realmente, se isso fosse em uma novela, seria uma trama interessante. Mas estamos falando de vida real.
Antônio: Pode acreditar Bernardo. Por tudo que é mais sagrado.
Bernardo: Desculpe, mas não dá… preciso ir pro Hospital.
Bernardo levanta apressado
Antônio: Só pensa se essa sua rejeição toda, não é por que justamente eu também sou a pessoa que te expulsou da Universidade e também se envolveu no acidente do seu irmão.
Bernardo: Com licença. Acho que já ouvi demais por hoje.
Bernardo sai e Antônio sofre.
Antônio: Acho que meu filho nunca mais vai me perdoar.
Casa de Bernardo / Sala
Sérgio: Não tem necessidade de você ir ao hospital Regina. O Bernardo já está lá. Amanhã você vai. Já esta tarde.
Regina: Estou preocupada com o Bernardo. Mas realmente, já esta tarde. Vou trocar de roupa para deitar. Se você vir o Bernardo chegar, me avisa!
Regina vai para o quarto e Sérgio está inquieto, parecendo preocupado
Sérgio: Eu não posso permitir que ela encontre com o Antônio novamente.
Outro dia…
Casa de Bernardo / Sala
Regina: Bom dia Bernardo, meu filho… chegou muito tarde ontem?
Bernardo: Bom dia mãe. Não muito… fui na casa do Antônio.
Regina: E aí? Vocês conversaram?
Bernardo: Eu precisava ouvir a versão dele sobre toda essa história.
Regina: e ai? Ele explicou tudo?
Sérgio: Claro que ele vai enrolar Regina. Nada que ele justificar ira convencer.
Bernardo: Isso mãe. O Sérgio tem razão. Nada que ele disse para mim fará sentido. Mas vamos deixar as águas rolarem. A senhora vai poder ir para o hospital? Estou com uma baita dor de cabeça.
Regina: Claro que vou. Já estou pronta. Só estava te esperando. Mas fica em casa meu filho. Descansa um pouco mais. Sérgio, você vem comigo?
Sérgio: Não Regina. É melhor eu ficar aqui, caso o Bernardo precise.
Regina: Tudo bem… estou indo.
Regina sai e Sérgio demonstra preocupação com Bernardo.
Bernardo: Eu vou voltar para a cama.
Sérgio: Toma café Bernardo. Você precisa comer. E esquecer as lorotas que esse cara está inventando.
Bernardo: Obrigado Sérgio…, mas estou sem fome nenhuma.
Sérgio: Qualquer coisa você pode falar comigo!
Bernardo: Valeu… muito obrigado
Bernardo vai para o quarto.
Sérgio: Ele não pode se aproximar do pai.
Hospital / Quarto
Antônio está em pé e chorando próximo a cama em que Léo está deitado.
Antônio: Como eu queria estar no seu lugar agora, meu filho. Sei lá, para compensar todos esses anos que estive fora. Como eu precisava contar tudo para você sobre o que aconteceu que me levou a sumir da sua vida. E logo agora, que ocorreu esse grave acidente, descubro que eu quase matei meu filho… Leo, se de alguma forma você está me ouvindo, saiba que eu não fiz por mal, saiba que eu não desapareci de propósito. Eu fui sequestrado e perdi todos os contatos, mas nunca me esqueci de vocês meu filho. E se você voltar, eu tenho certeza que compensarei toda essa ausência. Vamos curtir tudo meu filho, vou te ajudar a criar o meu netinho. Que por sinal é lindo. Eu lembro de quando você era do tamanho dele e que nós brincávamos, tomávamos sorvetes…ai meu filho… Volta meu filho, volta.
Regina entra no quarto
Regina: Desculpa Antônio… não sabia que estava aqui. Depois eu volto.
Antônio: Não Regina… fica. Eu estou conversando com o nosso filho. Eu queria muito que você acreditasse em mim. Eu queria muito que o Bernardo entendesse tudo o que aconteceu. Eu juro que…
Regina corta Antônio
Regina: Você realmente contou a verdade para o Bernardo?

FIM DO CAPÍTULO 11

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