Novela Escrita | Fruto da Imaginação - Capítulo 04


Casa de Bernardo / Cozinha

Regina rapidamente sai em defesa do filho, mas com medo de que Leonardo reaja mal.

Regina: Que palhaçada é essa Sérgio?

Sérgio: Palhaçada? Ué Regina, ele fez o mesmo comigo, esqueceu?

Bernardo: Você não podia ter feito isso Sérgio. Você é um idiota.

Leonardo pega Daniel pelo braço, o arrancando a força da mesa.

Leonardo: Vamos pra casa Daniel.

Regina (nervosa): Espera Leonardo, não precisa sair assim, também.

Leonardo (com raiva): Anda Daniel…

Daniel (sem entender): Mas pai, eu ainda nem comi.

Leonardo: A gente come em casa. Vamos embora!

Eles saem sem se despedir.

Regina (gritando): Espera Léo… Léo

Bernardo: Mãe eu vou para a casa do Léo com eles.

Bernardo sai atrás do irmão e Regina chora e demonstra raiva de Sérgio.

Regina (chorando): Satisfeito Sérgio?

Sérgio (irritado): Quando ele fez isso comigo, não vi em nenhum momento você me defender. Só mesmo disse que seu filhinho não podia ter me expulsado.  E depois disso, agiu como se nada tivesse acontecido. Vamos fingir agora também. Depois passa. Viu que ele aceitou numa boa né?

Regina (chorando): No fim disso tudo, a que mais sente sou eu. Não sei se eles me culpam por ter me casado de novo, e não querer saber sobre o pai deles. Ou se eu me dediquei tanto aos meus filhos que te deixei faltar algo. Só sei que no meio desse cabo de guerra quem está sou eu. Quanto ao ocorrido agora, tenho que ficar do lado dos meus filhos. Por que o que você fez foi uma covardia. Quem deu a ideia do jantar, foi você. 

Sérgio: Regina eu fiz exatamente…

Regina não deixa que Sérgio fale, e grita com ele, demonstrando muita raiva.

Regina: Cala boca Sérgio, dessa vez você não tem o que justificar.

Sérgio: Mais uma vez o que não presta nessa história sou eu.

Regina: E dessa vez, eu quase estou acreditando que você não presta.

Regina sai da sala e Sérgio ri da situação, como se não se importasse com nada  do que aconteceu.

Sérgio: Quando você descobrir certas coisas, vai ter a certeza que não valho nada mesmo.

Dias depois…

Universidade Futuro / Sala de aula

Sandra não consegue uma média boa na matéria de contabilidade e tenta de toda forma, uma “ajudinha” do professor.

Sandra: Ai “profe” dá uma moral ai. Vou ficar com zero?

Allan: Mas se você não fez prova e nem trabalho, queria ficar com qual nota?

Sandra: É por que eu passei por uns problemas ai. E me ausentei por uns dias. Pô revê isso ai, por favor.

Allan: Senta Sandra… Quero continuar a aula.

Sandra senta ao lado de Maria.

Maria: E o Diogo? Tem notícias dele amiga?

Sandra: Não… Tem dias que não falo com ele. Encontrei com a mãe dele, e ela disse que tinha aparecido. Só não sei se sumiu de novo.

Helena: Vocês estão dando muito mole Sandra… Os pais de vocês continuam pagando a faculdade e vocês não estão nem ai.

Sandra: Não estamos fazendo nada demais gente. Fiquem tranqüilos. Estamos conscientes do que fazemos.

Antônio entra na sala e pede autorização ao professor Allan para falar com a turma.

Antônio: Bom dia Alunos! Bom, estamos notando que alguns alunos estão com números de faltas absurdos. E esses alunos, serão reprovados por faltas. E não adiantam chorar com os professores, pois regra é regra e todos já sabem desse procedimento.

Bernardo: Com licença, Sr. Antonio! Não seria o caso de ver quais as situações de cada aluno. Por que pode ser que estejam agindo errado, sendo tão arbitrários.

Antônio: Você é um desses casos especiais, rapaz?

Bernardo: Não.

Antônio: Então acho que não é da sua responsabilidade querer solucionar isso, não acha?

Bernardo fica sem graça diante da resposta que Antônio lhe dá, e a turma zomba dele.

Antônio: Recado dado. Com licença. Qualquer coisa estou na minha sala. Obrigado professor Allan.

Antônio sai da Sala e Allan volta a dar aula.

Bernardo: Que cara ignorante… Mas eu vou falar com ele pessoalmente.

Maria: Deixa isso quieto Bê.

Bernardo: Não… Ele não é meu pai pra falar assim comigo.

Helena: Agora fiquei preocupada. Por que o Rafa tem faltado esses dias por causa do trabalho.

Bernardo: Isso não vai ficar assim meninas. Ah, não vou engolir essa mesmo.

Casa de Rafael e Helena / Sala

Helena anda incomodada com o jeito que Rafael tem estado.

Helena: Amor, eu sei que tem algo a mais nessa sua carinha. Além de cansaço.

Rafael: Helena… Eu vou abandonar a faculdade.

Helena fica surpresa, pois não consegue entender o por que dá decisão tão radical que Rafael acaba de tomar

Helena: Como assim Rafael?

Rafael: Isso mesmo. Tenho que escolher: Faculdade ou emprego. E como não posso parar de trabalhar. Adeus faculdade!!!

Helena: E com isso, vamos adiar o nosso filhinho né?!

Rafael se irrita com comentário de Helena, e fica nervoso.

Rafael: O que você quer que eu faça, Helena? As coisas não são do seu jeito, meu amor!!! Que droga. Para de ser incompreensiva. Acha que tudo é simples e fácil?

Helena: Calma Rafa…

Rafael: Calma? Calma? To de saco cheio já de você!!!

Helena se surpreende pois Rafael nunca tinha falado com ela dessa maneira e começa a chorar.

Helena: Nossa Rafael… Só estava preocupada com você. Mas desculpa se te enchi. Não falo mais sobre isso. Foi mal. Com licença.

Helena sai da sala e demonstra tristeza e com isso Rafael percebe que falou o que não devia e se arrepende.

Rafael: Seu burro!!! Burro!!! Não consegue fazer nada certo na vida.

Universidade Futuro / Sala do Antônio

Bernardo: Com licença Sr. Antônio!

Antônio: Entre Bernardo… O que posso ajudar?

Bernardo: É sobre o ocorrido ontem na sala.

Antônio (fingindo não entender): Não lembro o que ocorreu ontem.

Bernardo: Sobre a grosseria que fez ontem comigo quando falava sobre as faltas.

Apesar de conhecer Bernardo há pouco tempo, Antônio, já imaginava que ele fosse procurá-lo para falar sobre o ocorrido no dia anterior. 

Antônio (ri): Eu sabia que viria falar comigo, como sempre né Bernardo? O rapazinho que adora lutar pelos direitos do povo.

Bernardo: Só não acho justo uma punição tão radical, por que nem todos estão faltando por irresponsabilidade. Poderia ter uma conversa com essas pessoas.

Antônio: E você acha que temos tempo para ir de um em um para solucionarmos os problemas? Não sou Deus Bernardo.

Bernardo: Tudo bem… Só queria demonstrar que não fico calado quando acho que estou certo. Com licença.

Antônio fica irritado com o fato de Bernardo sempre ser a favor das pessoas. Bernardo sai e Antônio da um soco na mesa, demonstrando sua irritação e assustando Luiza.

Antônio: Que garoto intrometido.

Luiza: Desculpa amor, mas ele me lembra você. Também não fica calado quando acontece certas coisas

Antônio: Mas não é a primeira vez que esse “moleque” vem me afrontar.

Luiza: E nem será a ultima Antônio.

Antônio: Mas deixa ele pensar que pode comigo. Não vai muito longe a marra desse rapaz.

Luiza: Se acalma querido. Já passou. Vamos mudar de assunto, então. Quando é que vamos voltar ao orfanato, para visitar a Eduarda?

Antônio: Pode marcar um dia meu amor. Eu irei sem problemas.

Diferente das outras vezes, Luiza percebe que Antônio não arranjou desculpas para não ir ao orfanato. Com isso ela fica animada e liga para o orfanato para agendar uma visita a menina que eles desejam adotar.

Casa de Leonardo

Bia: Léo você não acha que é perigoso você ficar bebendo nos dias de semana?

Leonardo: Relaxa Bia… Vou dirigir com cuidado.

Bia: Não só por isso Léo. Você trabalha amanhã e já é tarde da noite, e agora que você vai sair. Só Deus sabe a hora que você vai voltar e amanhã terá que acordar cedo para trabalhar.

Mais uma vez Leonardo pouco se importa com o dia e horário que sai para beber e namorar. Como a única preocupação dele é não deixar seu filho sozinho e mais uma vez, Bia se prontificou a passar a noite com Daniel, Léo quer mais é se divertir mesmo. E aproveita a preocupação de Bia para poder brincar com a menina, pois ele sabe que ela nutre uma paixão por ele.

Leonardo: Ahhhh que lindo. Ta preocupada comigo, Bia? Se preocupa não, gata. Vou ficando com várias, mas um dia serei todo seu. Pode me esperar, ta?

Bia: Você vai me dá carona até em casa?

Leonardo: Claro Bia, tenho que levar o Dani, que já esta no décimo sono. Vou pegar o uniforme e as coisas dele pra levar pra sua casa.

Bia disfarça seu ciúme mediante a brincadeira que Leonardo faz e enquanto Léo vai buscar as coisas de Daniel no quarto, ela desabafa sozinha.

Bia: Só não demore muito a me procurar, pois um dia eu posso cansar.

Leonardo volta com Daniel no colo, pois ele esta dormindo e Bia o ajuda a carregar a mochila e as roupas do menino. Saem e vão até  o carro.

Dias depois…

Universidade Futuro / Sala do Antônio

Sandra: Galera, a mãe do Diego me ligou desesperada, pois tem dias que ele não aparece em casa. E o celular esta fora de área.

Bernardo: Nossa, imagino como deve ser para os pais viverem nessa dúvida né?

Maria: Mas Sandra, você não imagina por onde ele esteja?

Sandra: Não. No fim de semana até estive com a nossa galera, mas ele não apareceu por lá.

Bernardo: Sandra, desculpa me intrometer… Mas você não acha que essa vida que vocês perigosa?

Sandra: Nem um pouco Bernardo. Eu pelo menos saio e entro quando eu quero. Isso não me domina. Eu é quem domino, entende?

Bernardo: Sinceramente? Não entendo! Muitos falam exatamente a mesma coisa que você.

Sandra: Me poupe, já falei que eu sei me controlar!

Enquanto eles conversam, Maria percebe que desde que chegaram à faculdade, Helena está calada e demonstrando tristeza.

Maria: O que houve Helena? Você está tão quietinha amiga.

Helena: Nada não, Maria… Obrigado pela preocupação… 
Gente? O Sr. Antônio está tirando aqueles anúncios sobre inicio de solicitação e inscrição para bolsas do segundo semestre. Será que alterou as datas?

Bernardo: Vamos saber agora!

Maria, Bernardo, Sandra e Helena vão em direção ao Antônio.

Bernardo: Com licença Sr. Antônio? Foram alteradas as datas do calendário para a solicitação de bolsas?

Antônio: Não Pessoal… A partir do segundo semestre acabarão as bolsas na Universidade Futuro.

Bernardo se assusta com a informação de Antônio

Bernardo (surpreso): Mas isso não pode acontecer.

Antônio respira fundo, para de retirar o cartaz e sai em direção a sua sala e todos ficam sem entender.

Casa de Raphael e Helena / Sala

Rafael está aguardando Helena chegar e parece impaciente.

Rafael: Aí meu Deus, como vou dizer isso a ela? Eu sou um tremendo idiota mesmo. Um incapaz… Não aguento mais essa vida, mas tenho que ter coragem.

Helena entra em casa e estranha Rafael estar em casa no horário do almoço.

Helena: Oi amor!!! O que houve? Em casa na hora do almoço? Vai voltar a trabalhar a tarde?

Rafael: Não Helena… eu vim aqui por que precisava falar com você e não queria esperar até a noite.

Após se animar por um momento achando que o Rafael voltaria a trabalhar no seu horário normal da tarde e assim voltar para a faculdade, Helena se assusta com o que ele diz.

Rafael: Não jeito fácil de dizer então... eu quero a separação!

Por mais estranho que Rafael esteja há alguns dias, Helena jamais imaginou que ele pudesse falar o que acabara de ouvir.

Helena: Como assim Rafael?! Não estou te entendendo… que brincadeira sem graça é essa?

Rafael (querendo chorar): Não estou brincando, Helena! Não consigo mais… Eu acho que nós precipitamos as coisas. Poderíamos ter esperado mais, antes de casar.

Helena começa a chorar

Helena: Mas você quem insistiu para que casássemos. É por que fico te pressionando sobre filhos?

Rafael: Claro que não Helena… nem pensei nisso. É por que não da mais, só por isso. Eu fui muito apressado, me desculpe!

Helena: Não Rafael… você mudou de repente. Você era romântico comigo, só foi mudar o seu horário de trabalho e agora está agindo dessa forma. A culpa é minha?

Rafael: Para Helena… você não tem nada com isso. Eu não quero mais estar com você. A culpa não é sua. Eu que quero ficar livre!

Helena não consegue aceitar a decisão de Rafael. E para que o assunto se encerre de uma vez, ele responde friamente.

Helena: Por favor Rafa, vamos conversar. Não pode ser assim. Eu amo você.

Rafael: Mas eu não te amo, Helena. Acabou.

Tudo que Rafael está falando faz com que Helena se desespere ainda mais. Tentando de tudo para reverter a situação.

Helena: Quer que eu mude algo? Fala… o que eu posso fazer pra que você mude de ideia? Fala Rafael!!! Você descobriu que não pode ter filhos e está com medo de me chatear. É isso? Não tem problemas meu amor… a gente espera um pouco, faz um tratamento e se ainda assim não der, a gente adota uma criança.

Rafael numa atitude desesperadora, fala gritando:

Rafael: Chega Helena… pAra de se humilhar!!! (chora) Acabou, entende?! Não é questão de filhos.

Os dois começam a chorar.

Helena: Você não está me convencendo Rafael. Pelo amor de Deus…

Rafael: Eu tenho outra, Helena! Eu não gosto mais de você porque eu já estou em outra. Pronto, está convencida agora?

Helena chora desesperadamente e Rafael tenta disfarçar a tristeza.

Rafael: Outro horário eu volto para apanhar minhas coisas. Até mais.          

Rafael sai e Helena sofre

Universidade Futuro / Sala do Antônio

Antônio: Não acredito que você veio até minha sala, pra discutir sobre o cancelamento das bolsas.

Bernardo: Claro que sim… o senhor sabe quantos precisam de uma oportunidade dessas para ingressar numa universidade?

Antônio: Sei sim rapaz, mas eu não sou a solução dos problemas no mundo. Mas pode ficar tranquilo, pra você que já esta dentro, não vai sofrer com isso. 

Bernardo: Mas eu não penso só em mim.

Antônio está para perder a paciência.

Antônio (impaciente): Então vá com essa sua filosofia de vida lá pra fora da minha sala. Isso não vai me comover nem um pouco. Eu sei o quanto isso afeta o caixa da Universidade. Comprei essa instituição no vermelho, estou tentando mudar o quadro.

Bernardo: Mas não acho essa seja a forma mais correta.

Antônio: Rapaz, você não tem que achar nada. Você não tem nada com isso.

Bernardo: O senhor não pensa nos outros.

Antônio demonstra raiva e Bernardo percebe que falou demais.

Antônio: Quer saber Bernardo? Vamos comigo até a secretária. Pois sua bolsa esta cancelada!

Bernardo (surpreso): O que?

Antonio: Isso mesmo que você ouviu. Vá conseguir bolsa em outra universidade. Por que na minha você não estuda mais.

Bernardo está surpreso com a decisão de Antônio. Mas antes de poder reverter a situação, o celular de Antônio toca e ele atende.

Antônio: Oi amor?!… se acalma… passando mal? Espera que já estou indo... (desliga o telefone) Bernardo, amanhã resolvemos sobre o cancelamento da sua bolsa, agora preciso ir!

Bernardo: Não precisa se preocupar… eu mesmo faço o cancelamento.

Assim como Antônio, Bernardo age no impulso e sem pensar. Sai da sala.

Antonio: é um trabalho que você me polpa… Cadê a minha carteira? Ué? O primeiro dia de visita dessa menina a minha casa e ela passa mal. Eu mereço.

Antônio sai apressado.

Estrada / Carro de Leonardo

Leonardo está bêbado, dirigindo e ainda falando ao telefone.

Leonardo: Oi mãe… sai mais cedo sim. Só fui almoçar com amigos mãe. E bebi um pouco… não se preocupa, Dona Regina! Eu sei o que faço… Tá vou desligar por que estou dirigindo (ri). Tchau

Leonardo desliga o telefone

Leonardo: O mesmo sermão sempre. Bebo mesmo… ninguém tem nada com isso.

Estrada / Carro de Antônio

Antônio está dirigindo acima da velocidade permitida com Luiza e Eduarda, que está passando muito mal.

Antonio (nervoso): Ela comeu alguma coisa que possa ter dado alergia, Luiza?

Luiza: Nada demais, fiz um bife com batata-fritas… Ela já estava meio febril no orfanato...

Antônio: Sabe lá se ela tem algo? Por isso temos que pensar muito antes de assumir essa responsabilidade...

Luiza: Não vai ser nada demais, ela vai ficar bem…

Antônio: O problema é chegar no hospital. Mas vamos conseguir.

Luiza percebe que um carro vem no cruzamento, ultrapassando o sinal vermelho. E grita.

Antônio freia fortemente.

O carro que avançou o sinal tenta desviar do carro de Antônio, perde o controle e capota várias vezes. Antônio e Luiza se assustam com a gravidade do acidente.


FIM DO CAPÍTULO 4

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