Crítica l Carinha de Anjo é a prova de que o simples, bem feito, agrada

Divulgação/SBT

Na última terça-feira (06), houve um confronto interessante entre duas atrações na TV brasileira. Apocalipse, novela bíblica da Record, exibiu o "arrebatamento", momento da história em que os personagens de boa índole são levados da Terra por Deus para não sofrerem com o fim do mundo. Já Carinha de Anjo, novela do SBT, apostou no casamento dos protagonistas adultos, Cecília (Bia Arantes) e Gustavo (Carlo Porto).

Nada de grandes catástrofes ou sequências repletas de efeitos especiais: o público, segundo a medição de audiência feita pelo Kantar Ibope, preferiu a sequência romântica da novela de Dulce Maria (Lorena Queiroz). O folhetim de Leonor Corrêa, mais uma vez, conseguiu se destacar sem se preocupar em inovar ou querer fazer história.

A equipe de Carinha de Anjo parece ter apenas uma preocupação: entregar um produto de qualidade e capaz de agradar a todo tipo de público. E isso a novela vem conseguindo fazer desde a estreia, em novembro de 2016. Adaptação de um texto mexicano, a produção se baseia nas travessuras de Dulce e no par romântico formado pelo pai da garota e a ex-noviça.

O texto em nada deve à produções adultas e a direção de Ricardo Mantoaneli se mostra acertada. O elenco, no geral, se apresenta seguro - destaque para Bia Arantes, pelo carisma que incorporou à Cecília e por não ter deixado a ingenuidade e a pureza da personagem soarem artificiais.

O carisma do elenco infantil é um capítulo à parte, assim como a trilha sonora, recheada de clássicos revisitados que fizeram parte da infância dos pais e ainda são capazes de encantar os filhos.

O maior ponto negativo é a edição feita pelo SBT: visando estender o lucro dos produtos licenciados com a marca da novela, promove um espichamento sem fim no número de capítulos já gravados, comprometendo o ritmo da história e fazendo com que, durante semanas, nada de relevante aconteça na trama principal.


Carinha de Anjo é a prova de que o simples, bem feito, ainda é capaz de agradar o público. Um conto de fadas, com um toque generoso de fofura - e que mesmo com apelo infantil, não subestima a inteligência do telespectador -, vale mais do que uma superprodução repleta de equívocos.


Gaspar Neto é estudante de Jornalismo, apaixonado por televisão desde a infância e colunista do portal Comenta TV. 

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