Crítica | A abordagem natural e eficiente da homossexualidade em Malhação – Viva a Diferença

Reprodução/TV Globo

A atual temporada de Malhação, intitulada Viva a Diferença, vem chamando a atenção do público e da crítica desde maio pela abordagem segura e interessante de diversos assuntos, entre eles gravidez na adolescência, racismo e assédio sexual. Nos últimos capítulos, foi a vez da homossexualidade ganhar espaço através do personagem Gabriel (Luis Galves). 

É verdade que o tema já estava presente na temporada há algumas semanas, através do casal lésbico formado por Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovanna Grigio). A questão do respeito às diferenças, de uma maneira geral, também já havia ganhado espaço em outras ocasiões. No entanto, foi com a chegada do irmão de Keyla (Gabriela Medvedovski) que várias questões que envolvem o tema passaram a ser trabalhadas de forma mais profunda pela novela.

Gabriel é o filho que Roney (Lúcio Mauro Filho) desconhecia a existência e que só desembarcou na história há alguns capítulos, disposto a passar uma temporada com o pai. Bem resolvido, ele conta que é gay de forma espontânea durante uma conversa com a irmã e suas amigas, Tina (Ana Hikari), Ellen (Heslaine Vieira), Benê (Daphne Bozaski) e Lica

É justamente na naturalidade que mora o grande diferencial da abordagem promovida por Viva a Diferença: o tema parece ser só mais um dos que tecem a trama, sem destoar ao telespectador como merchandising social. Em outra cena, por exemplo, a questão dos estereótipos é tratada de maneira muito simples através de uma resposta de Samantha a um questionamento feito pela amiga, Clara (Isabela Scherer), sobre Gabriel “não aparentar ser gay”. “Você não viu? Ele acabou de guardar um enfeite de plumas douradas na mochila?”, ironiza a personagem, cumprindo o papel que precisava sem didatismo.

Em outros momentos, como em uma discussão sobre o bullying e a homofobia que Gabriel acaba sofrendo por parte de um dos colegas de turma, o texto didático se faz presente e de maneira necessária, mas soando de forma muito genuína na boca do orientador educacional Bóris (Mohamed Harfouch) e do próprio Gabriel. Destaque para a cena tocante em que Roney vai pedir o auxílio de Bóris para lidar com a homossexualidade do filho.

É louvável como um produto como Malhação, no ar há 22 anos, ganhou o frescor e a maturidade que precisava já há algum tempo. Os reflexos disso podem vistos na audiência, a maior dos últimos 9 anos, e na repercussão que os capítulos geram nas redes sociais. Que esse avanço não se perca com a chegada da próxima temporada e que os assuntos que fazem parte do dia a dia dos jovens continuem sendo discutidos com o suporte de um bom texto, uma boa direção e boas atuações no fim de tarde da TV aberta.


Gaspar Neto é estudante de Jornalismo e apaixonado por televisão desde a infância. Agora se junta à equipe do portal Comenta TV, onde irá escrever sempre às quintas-feiras, com exceção desta estreia.

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