Novela Escrita | O Preço da Verdade - Capítulo 04


CENA 1 - INT. / AEROPORTO/DESEMBARQUE - DIA. 

DEBORA desembarca junto de TEODORO, que carrega suas malas.

TEODORO: Eu nem acredito que vamos ter que voltar para a realidade do Brasil após semanas maravilhosas em Paris.

DEBORA: Cadê o Felipe? Era para ele estar aqui nos esperando já.

Uma garota com uma revista da qual DEBORA é capa se aproxima.

NATALIA: Você pode autografar a revista e tirar uma foto comigo? Eu sou muito sua fã. Acompanhava todos os seus desfiles. Fiquei muito triste quando você anunciou que iria se aposentar.

DEBORA: Claro. Você tem caneta?

NATALIA: Tenho. 

DEBORA: Enquanto eu atendo ela, você vai procurar o Felipe para mim!

TEODORO: É pra já!

DEBORA: Como é seu nome?

NATALIA: Natalia. Meu nome é Natalia.

DEBORA autografa e depois tira uma foto com a garota. A garota a abraça mais uma vez e vai embora. TEODORO faz sinal para DEBORA que vai em direção ao carro. Ela entra no carro e FELIPE termina de colocar as malas no porta malas. Ele entra no carro.

FELIPE: Desculpe a demora dona Debora, o trânsito estava uma loucura. 

DEBORA: Não tem problema! Nós não vamos para casa ainda, preciso passar em um lugar antes.

FELIPE: Está bem!

DEBORA fala o local para ele e ele faz a volta. Corta para:

CENA 2 - EXT. / CASA DE MADALENA/QUINTAL - DIA.

MADALENA chega em frente à casa e entra no portão. Ela repara cada detalhe. 

MADALENA: Parece ontem que eu estava aqui com a minha filha. Minha menina...

Ela entra na casa e repara que apesar de empoeirada, as coisas continuam no exato lugar e que a casa ainda tem energia. Ela fica sem entender. Ela anda pela casa e fica emocionada. Corta para:

CENA 3 - INT. / CENTRO MÉDICO UNIDOS PELA VIDA/SALA DE ESPERA - DIA.

MAÍSA chega e recua quando vê LEONORA sentada.

LEONORA: Recuou? Pode entrar vagabunda, eu não mordo.

MAÍSA: Não sabia que tinha alguém aqui.

LEONORA (se aproxima de Maísa): Ou você estava atrás do meu marido?

MAÍSA: Não, não é isso.

LEONORA: Eu vou lhe dar um último aviso vagabunda. Você não atravessa o meu caminho de novo, porque se isso acontecer, você vai se arrepender de ter nascido.

MAÍSA sai da sala e LEONORA abre um sorriso. Corta para:

CENA 4 - INT. / CENTRO MÉDICO UNIDOS PELA VIDA/QUARTO - DIA.

VINÍCIUS sentado ao lado de LUÍZA. LEONORA entra no quarto e abraça a filha.

LEONORA: Eu sinto muito.

LUÍZA: Eu só quero esquecer um pouco. Não quero falar sobre...

EDGAR entra em seguida no quarto.

EDGAR: Você vai poder ir para casa ainda hoje. Vocês levam ela? Eu tenho uma cirurgia marcada daqui uma hora.

LUÍZA: Eu queria que você fosse comigo pai.

EDGAR: Infelizmente eu não vou conseguir ir agora, mas assim que puder eu vou pra casa.

VINÍCIUS: Pode deixar que eu levo elas para casa.

VINÍCIUS começa a arrumar as coisas de LUÍZA e fica olhando as roupinhas do bebê com os olhos cheios d'água. LEONORA vai até ele e o abraça. Corta para:

CENA 5 - EXT. / CARRO DE DEBORA/RUA DA CASA DE MADALENA - NOITE.

FELIPE estaciona o carro e DEBORA fica olhando para a casa sem coragem de sair do carro.

TEODORO: Você está bem?

DEBORA: Estou! Eu já volto, não demoro!

DEBORA sai do carro e vai em direção à casa. 

TEODORO: Quem será que mora nessa casa?

FELIPE: Se quiser eu chamo ela para perguntar.

TEODORO: Sem graça. 

FELIPE: Sabia que você cuida muito da vida dela? Solta um pouco Teodoro.

TEODORO: Você está sentindo? 

FELIPE: Sentindo o que?

TEODORO: O cheiro da classe média. Olha essa rua Felipe, você não está curioso para saber o que é que ela veio fazer aqui? Onde a realidade dessas pessoas é bem diferente da dela?

FELIPE: Me deixe dormir, vai.

TEODORO: Dormindo em hora de serviço? A gente podia aproveitar que estamos aqui sozinhos...

FELIPE: Vê se me erra, Teodoro.

TEODORO: Um dia você vai implorar pelo meu corpinho.

FELIPE: Vai sonhando!

TEODORO volta a reparar DEBORA, que está parada na frente da porta sem coragem de bater. Corta para:

CENA 6 - INT. / CASA DE MADALENA/QUARTO - NOITE.

MADALENA suspira quando deita na cama.

MADALENA: Há quanto tempo eu não sabia o que era isso...

Alguém bate na porta e ela levanta.

MADALENA: Quem será...

Ela vai até a sala e abre a porta, dando de cara com DEBORA.

MADALENA:Deb... filha?

DEBORA: Agora você lembra que tem uma filha?

MADALENA: Acho que temos muito o que conversar!

DEBORA entra e MADALENA fecha a porta. Corta para:

CENA 7 - INT. / CASA DOS CARVALHO/SALA DE ESTAR - NOITE.

LEONORA, LUÍZA e VINÍCIUS chegam. VINÍCIUS ajuda LUÍZA a subir as escadas. No quarto do casal ela deita na cama e ele senta ao lado dela.

VINÍCIUS: Como você está?

LUÍZA: Não sei dizer. 

VINÍCIUS: Acho que a gente precisa conversar.

LUÍZA: Sobre o que?

VINÍCIUS: Eu nem consigo lembrar de um momento da minha vida que nós não estivéssemos juntos. Já moramos na mesma casa há muitos anos e já vivemos bastante coisa. Acho que um dos maiores erros da minha vida foi deixar o sonho do meu pai tanto tempo nas mãos de outra pessoa. Acho que eu devo isso a ele. Entende? Eu estou pensando em assumir a direção do hospital. Mas antes disso, eu quero me casar com você. Você aceita?

LUÍZA fica sem reação. Corta para:

CENA 8 - INT. / CASA DE MADALENA/SALA DE ESTAR - NOITE.

MADALENA fica sem reação ao ficar frente a frente com DEBORA.

MADALENA: Eu não sei nem o que falar para você. Eu só quero que você me perdoe!

DEBORA: Eu não sei o que eu sinto por você mãe. Eu sinto ódio por você ter nos trocado por aquele irmão do seu chefe. Eu tenho nojo por você ter enganado meu pai e ainda ter tido a cara de pau de negar em todo o momento.

MADALENA: Eu me apaixonei! Você já se apaixonou? Eu conheci seu pai com quinze anos e nunca olhei para outro homem. O Edgar veio com um papo, o seu pai já nem olhava pra mim. E ele me fez sentir mulher naquele momento. 

DEBORA: Terminasse o casamento, não ficasse enganando ele. Quantas vezes eu vi aquele homem trazer você aqui? Nessa mesma casa! Você sabe como eu me sentia? Eu era uma criança!

MADALENA: Eu me arrependo das minhas escolhas todos os dias da minha vida. Eu passei quinze anos da minha vida presa por um assassinato que eu não cometi. Você sabe o que é ficar presa por algo que eu nunca fiz?

DEBORA: Você não é uma vítima, mãe. Você traiu meu pai. Você nem sequer pensou em mim. O seu erro foi ter de envolvido com pessoas sujas, porque se isso não tivesse acontecido, você teria continuado com tudo e sabe até quando ia enganar meu pai.

MADALENA: Você era a única coisa que me prendia nessa casa.

DEBORA (grita): Pare! Você só consegue colocar a culpa nos outros, mas foram suas escolhas que te colocaram atrás das grades. Eu vim aqui só pra ver você e falar tudo o que ficou preso em mim durante todos esses anos. Eu não precisei de você para ser alguém na vida. Muito pelo contrário, você acaba com todas as pessoas que chegam perto de você. Você acabou com a vida do meu pai. E eu não sinto pena de você.

MADALENA tenta se aproximar de DEBORA mas ela se afasta.

DEBORA: Eu estou de saída! O que eu vim fazer eu fiz, e fui eu quem cuidou desse lugar mesmo de longe. Agora é com você! Tenha uma boa vida.

DEBORA sai e MADALENA chora com a rejeição da filha. Corta para:


FIM DO CAPÍTULO 04

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